A sabedoria é louvável do prisma de quem não a tem. O saber é uma premissa que negligência o prazer da descoberta e do assombro. Saber é dominar, é conhecer todos os passos que nos conduzem ao culminar do acto sem ser objecto do mesmo. O conhecimento é agradável para quem não se move nos agitados fluxos orgânicos, é sinónimo de uma potência sem acção. Sabemos todavia que viver é tão somente ser o tempo e o espaço onde ocorre o acontecimento, é ser o móbil pelo qual o mundo gira em torno do seu eixo. Dou-vos um exemplo, podemos conhecer perfeitamente todas as equações que definem a lei da gravidade e ao mesmo tempo não sermos capazes de perpetrar um luar ou de fazer vibrar as marés. Quem é que prefere o cálculo do projéctil ao sentimento em que somos o próprio movimento sem pensamento racional? Ninguém. A não ser que não haja mais nada do que a própria razão a nos sugerir nas profundezas da nossa intimidade que não somos nós que produzimos acção no cosmos.
O debate sobre questões de fé e crença religiosa é frequente, já perdi a conta das vezes que assisti ou presenciei esse tipo de debate, tanto de crentes, como de descrentes. Para os segundos, é imperioso passar a palavra, as incoerências dos fiéis, as contradições da fé e os indícios sobre a inexistência da entidade divina. Os primeiros tentam defender-se como podem, tentando alegar que a razão não pode explicar a fé. Não sou teólogo, não me posso expressar com profundo conhecimento de causa, só que ontem li um argumento que aponta o indício forte que Deus não existe, um teólogo pode refutar o argumento com maior acutilância, mas lembrei-me que mesmo não conhecendo a teologia o argumento pode ser refutado. O argumento sintético é o seguinte: 1) Se Deus existe, deve intervir no mundo para prevenir o mal. 2) Deus não intervém no mundo para prevenir o mal. 3) Logo, Deus não existe. Este argumento parte do pressuposto que Deus é omnipotente, infinitamente bom e omniscie...
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